O título dessa postagem faz referência à pesquisa que estamos envolvid@s desde a Universidade Federal do Pampa. Essa publicação é uma proposta inicial, ainda imatura, de registro das atividades que a compõem, de forma que o próprio processo de registro se torne objeto de análise e reflexão científica.

Em breve divulgaremos melhor o contexto dessa pesquisa, seus pressupostos teóricos e empíricos, assim como informações sobre a equipe de trabalho e planejamento das ações.

Abaixo segue breve comentário sobre algumas ações que têm relação com a pesquisa.

Abril: Sábado – atividade CNPq, integração entre territórios de ação investigativa, alinhamento metodológico, metodologias participativas, agentes do território

Abril: Duas idas ao assentamento Carlos Mariguella para organização atividades bolsista

Maio: Conversa com Sibele e Ednalva, compreensão da pesquisa no cenário de corte (inicial e, provavelmente, futuro)? Compreensão do contexto socioeconômico onde se insere experiências em TS agroecológicas – necessidade de levantamento clássico de informações sobre perfil regional (precisa ser dado primário?). Por outro lado, diante o enxugamento de tempo/recursos, nos focamos em caracterizar bem as TS e suas redes de relações, suas dimensões de TS/agroecologia? Seria possível fazer um paralelo entre dimensões de Dagnino e dimensões de Guzmán?

Maio 19: conversa no carro sobre abordagens possíveis, escola e outros espaços educativos (ocs, feira, etc.), eixo de trabalho, caracterização, ainda que inicial, introdutória, de aspectos históricos de organização social da agroecologia que nos ajude a compreender a atualidade do debate onde Grupo Guandu de insere. Será ele o condutor da narrativa de pesquisa? Será dele as práticas de conhecimento a serem investigadas tendo em vista a organização de práticas pedagógicas de interesse à Educação do Campo? Comunicação e constituição de grupo de ação/pesquisa, frentes de ação, plataforma que subsidie educador@s a planejarem sua aula a partir das práticas de conhecimento, acervo/repositório, material e virtual, de bases de dados, informações, possibilidades pedagógicas, que funcionem como repertório de ação educativa inspirada na EdoC, Agroecologia, Ciências da vida.

Maio 28: Grupo de estudo na UFSM: Agroecologia e Tecnologias Sociais de Base Camponesa. Agroecologia e metabolismo social, rede de relações pode ser compreendida como as dimensões territoriais da agroecologia? como essa abordagem da agroecologia, desde a memória biocultural, passando pela participação camponesa/indígena/técnica/científica dissedente pode inspirar os métodos de pesquisa em Tecnologias Sociais?

Junho 05: Reunião formativa na Feira Ana Primavesi, caracterizá-la a partir do Guandu (condutor da narrativa de pesquisa?), feira como espaço formativo para organização de práticas pedagógicas? Uma atividade possível, que pode ser compatibilizada com as demandas apresentadas na reunião do dia 06 de junho, seria o compartilhamento de práticas de conhecimento de interesse do grupo, tal como propõe a pedagogia do exemplo.

Junho 10: Atividade no Assentamento Madre Terra, na Comuna Pachamama, correspondente a atividade 01 prevista no plano de bolsista: Aproximação com a comunidade e escola. Descrição: Reunião apresentação do projeto de pesquisa e do cronograma de atividades para planejamento e organização da pesquisa junto com a escola. Apresentamos os principais pressupostos teóricos e metodológicos da pesquisa, apontando o trabalho de Sevilla Guzmán e sua definição de campesinato a partir do modo de produção agroecológico, desde o pensamento social agrário que considera o trabalho de Shanin (Marx e a via Russa) e de Tible (Marx Selvagem). Estas referências atentam para um protagonismo do campesinato e indigenato na construção de outro horizonte histórico, de caráter popular, a partir de suas bases socioculturais, de suas memórias bioculturais (organizações, participação, práticas de conhecimento, etc.). Comentamos também a sistematização da Via Campesina ao estudar as pedagogias agroecológicas, tendo em vista as organizações que a compõe: pedagogia do movimento, pedagogia da milpa e pedagogia do exemplo. Correlacionamos brevemente estas pedagogias com o metabolismo social e a rede de relações que estabelecem, e são necessárias, para que a agroecologia se sustente enquanto ação social coletiva, num dado território. Consideramos que as atividades de nossa pesquisa podem ser conjugadas com a proposta de formação continuada que será realizada com educador@s da Escola Semente Libertária. Temas a serem melhor descritos e registrados: práticas de conhecimento, Comuna Pachamama e lócus de práticas de conhecimento com potencial pedagógico como objeto de pesquisa, relação com Guandu (escopo de pesquisa, categorias de análise, etc.).

Julho: Checar anotações no caderno

Julho: Encontros e grupo de estudo no Tempo Universidade aberto à comunidade da Lecampo, debatendo o conceito de EdoC e suas concepções entre os participantes do grupo. Organização, a partir desses encontros, da Feira de Troca de Sementes e Saberes Crioulos, realizado no dia 22 de julho. Planejamento considerou auto-organização dos estudantes, apresentação das sementes e suas histórias, exibição de audiovisual sobre propriedade intelectual e lei de patentes sobre sementes na América Latina, debate entre Sementes crioulas e Escola do Campo, organização da reivindicação para que eventos dos TUs na Lecampo possam integrar conteúdos dos componentes curriculares de Ciências da Natureza em cada eixo temático do curso.

Julho 22: Feira de Troca de Saberes e Sementes Crioulas: Tarefa entre sujeitos da Lecampo: registrarem informações, para futuro compartilhamento, a respeito do uso das sementes trocadas em seus territórios, angariando fonte de dados para desenvolvimento pedagógico e científico.

Agosto 01: Educação do Campo, Tecnologias Sociais e Economia Solidária: atividade integrada ao Projeto CNPq com UFSM. Participação de pesquisadoras e pesquisadores de Santa Maria em Dom Pedrito, durante o Tempo Universidade. Início da sistematização coletiva de um método participativo para mapear tecnologias socioecológicas desde as práticas de conhecimento em Agroecologia. Materiais podem ser anexados aqui futuramente.

Agosto 14: Encontro de orientação de iniciação científica. Acompanhamento das atividades previstas no cronograma; Definição de balizas conceituais e metodológicas para registro e sistematização dos dados coletados nas atividades correlacionadas à pesquisa. Registro tendo por base os momentos pedagógicos da pedagogia do lugar/ambiente (descrição, generalização, síntese/tendências), sistematização metodológica iniciada no dia 01 de Agosto e objetivos da pesquisa [terceiro objetivo específico incluído após consideração de sua complexidade, assim como quinto, ambos a partir de desdobramento do objetivos anteriormente apresentados: (i) mapear e analisar as escolas do campo e suas comunidades nos territórios que correspondem às regionalizações do curso Lecampo Unipampa, ou próximas a eles, enfocando conhecimentos praticados por essas comunidades em seus agroecossistemas e sistemas agroalimentares; (ii) analisar as particularidades que caracterizam tais práticas como tecnologias socioecológicas (iii) bem como seu potencial pedagógico na organização de atividades educativas e propostas curriculares a partir da realidade político pedagógica da escola e da comunidade; (iv) analisar o potencial de reaplicação destas atividades por outras escolas e comunidades, (v) sistematizar e divulgar os resultados para disseminação, a fim de possibilitar o uso e reaplicação de atividades educativas e/ou curriculares.]

Agosto: Como parte da atuação docente no Tempo Comunidade de Sant’Ana do Livramento buscamos desenvolver atividades, num primeiro momento, capazes de cartografar a relação entre moradia/escola/empreendimentos rurais, com ênfase nos insumos agrotóxicos (tecnologias de base industrial-capitalista) empregados na atividade agropecuária do município. A organização do primeiro encontro iniciou-se com a partilha das pesquisas realizadas pelos/as estudantes sobre os principais agrotóxicos vendidos e utilizados na atividade produtiva do município. Essa partilha gerou um inventário com os produtos mais utilizados, que servirá como subsídio para a elaboração do Seminário Temático sobre os Agrotóxicos. Em seguida confeccionamos um mapa municipal referenciado a partir da malha rodoviária, em que casas, escolas públicas, bairros e comunidades foram demarcadas. Num segundo momento os docentes ofereceram uma interpretação sobre o território a partir da realidade agropecuária do município, buscando evidenciar a dinâmica socioecológica do local em suas correlações com a concentração fundiária e a reforma agrária, principais lavouras e criações da região, etc. O fio condutor que podemos estabelecer nesse Tempo Comunidade pode ser, tendo em mente a transformação da escola sugerida pela EdoC, a contradição entre as tecnologias de base industrial empregadas no campo e as tecnologias socioecológicas de base popular, com enfoque nos agrotóxicos e nas tecnologias sociais alternativas e eles. Essa contradição pode motivar as oficinas temáticas que estamos solicitando como ação sociopedagógica de nossos estudantes. Para subsidiar o planejamento destas oficinas, em coerência com nosso fio condutor, foi apresentada uma proposta metodológica capaz de possibilitar um Ensino de Ciências fortemente contextualizado, caracterizado pela utilização da vivência cotidiana dos alunos e dos fatos com essas tecnologias para organizar o conhecimento de Ciências e para promover aprendizagens (seria preciso evidenciar essa vivência…). O primeiro encontro desse Tempo Comunidade, realizado no Salão Nobre da Prefeitura de Sant’Ana do Livramento, também evidenciou uma característica da proposta apresentada: a participação ativa do estudante na elaboração de seu conhecimento sobre os agroecossistemas/estabelecimentos rurais da municipalidade. Na formação de professores de Ciências da Natureza que pretendemos na Lecampo, o Tempo Comunidade é tempo/espaço pedagógico chave para que conheçamos os agroecossistemas locais, assim como seus limites, aptidões e potencialidades. O egresso, dessa forma, pode ser um educador que contribua, como parte do desenvolvimento local, no estabelecimento de estratégias sociais e produtivas a partir desse reconhecimento dos agroecossistemas. Nosso TC, como atividade pedagógica, tem um caráter investigativo, de forma que desenvolva a curiosidade e permita ao estudante testar e aprimorar suas ideias e suas práticas.

Destarte, o próximo encontro do TC pode cumprir algumas funções, tais como:

  • Promover uma vivência com os estudantes na qual se constata o uso de tecnologias alternativas ao agrotóxico, em um agroecossistema/estabelecimento rural do município, seu contexto, suas características.;
  • Apresentar conceitos científicos necessários para o pleno desenvolvimento das oficinas temáticas que serão realizadas pelos estudantes nas escolas ou outros espaços sociais de suas comunidades de origem.

Setembro 06: Encontro para desenvolvimento metodológico no Assentamento Carlos Marighella, em parceria com Projeto UFSM. Eduardo, bolsista do projeto, apresentou resultados da aplicação da metodologia amadurecida no dia 14 de Agosto, aplicação essa realizada no Assentamento Madre Terra, em São Gabriel. Consolidação de alguns marcos metodológicos com base na pesquisa “Por uma Ciência Popular da Vida…”, enfatizando processo participativo dos sujeitos do campo, processo de autonomia e controle popular como elemento fundamental a ser mapeado nas tecnologia sociais com base na Agroecologia.

Setembro 14: Encontro no Canela do Mato

Setembro 25 a 27: Tempo Comunidade Terra Indígena Guarita

Outubro: Desenvolvimento do Método Participativo no mapeamento de Tecnociência Solidária em Agroecologia.

Outubro 08: Terceiro Encontro Santana Livramento – apresentações oficinas

Outubro 11: Orientação Iniciação Científica – Carlos Marighella. Atividades desenvolvidas pelo cronograma da pesquisa, atividades escolares.

  • Como escola insere-se nos agroecossistemas e nas rede de relações agroecológicas? Qual sua contribuição na construção/adequação de metabolismos socioecológicos endogênicos, com base nos domínios camponeses-indígenas?
  • Escola e pressupostos da apropriação adequada:
    • Conhecer (projetos pedagógicos com caráter de diagnósticos participativos, estudos integrados do meio) os agroecossistemas e os territórios (ecologia de paisagens, suas territorialidades) onde insere-se;
      • Mapeamento de tecnociência solidária de base camponesa-indígena;
      • Análise participativa das tecnociências mapeadas para reconhecimento de  limites, aptidões e potencialidades de agroecossistemas e paisagens;
      • Estabelecer estratégia de apropriação a partir desse processo, considerando reconhecimento acima e princípios da transição socioecológica, (transformação socioecológica) consolidação-estabilização de alternativas sociotécnicas ao modo industrial de apropriação e suas tecnologias;
      • Estabelecer estratégia de beneficiamento, circulação, consumo e descarte considerando tecnociências solidárias mapeadas e princípios da transformação socioecológica rumo a consolidação-estabilização de alternativas sociotécnicas aos impérios alimentares e suas tecnologias;
    • Análise de potencial pedagógico e formação de educador@s para domínio de conhecimento pedagógico dos conteúdos e práticas de conhecimento correlacionadas à apropriação dos agroecossistemas e paisagens, ao beneficiamento, circulação, consumo e descarte dos produtos e serviços apropriados;

Disso estabelecemos os estudos integrados do contexto sociotécnico, apresentados anteriormente: (1) elucidação do acervo de pressupostos da tradição sociocultural do entorno escolar, na (2) identificação das relações de opressão que marcam os domínios comportamentais marginalizados e das situações-limite para a transição agroecológica, na (3) avaliação participativa dos agroecossistemas e dos sistemas agroalimentares que circunscrevem a escola como também do compromisso da comunidade rural para com as práticas conservacionistas, e no (4) dimensionamento do potencial endógeno em Agroecologia na definição de um plano de estudos para a escola.

  • ; – Desenvolvimento do método, objetivos e escolha de ferramentas participativas;

Outubro 15: Orientação Iniciação Científica – Carlos Mariguella

Outubro 29: Grupo de Estudos UFSM: Base teórica para Uso de Método Participativo no mapeamento de Tecnologias Sociais em Agroecologia.