Por Maíra Taquiguthi Ribeiro, colaboradora

Escrevo agora pra discutir um texto que deixou pessoas que são de uma forma ou outra ligadas a agroecologia de cabelo em pé. Se você ainda não ficou de cabelo em pé, o texto a que me refiro chama-se “Fadas, duendes e agricultura”, de Zander Navarro publicado no Estado de São Paulo em 20/10/2013, que eu  reproduzo lá embaixo.

É o tipo de texto feito para provocar. Desses textos que enquanto a gente lê vai imaginando qual é o grupo, o interesse por trás daquelas palavras. Esses textos que a pessoa escreve para ser polêmica e para chamar atenção, nem que seja a atenção daqueles que desejam jogar um tomate – agroecológico, é claro – na sua cabeça. A pessoa que escreve um texto desses tem que ser corajosa, ou cara de pau. Uma pessoa que costuma escrever textos assim, velha conhecida, é Katia Abreu. Ela gosta de escrever asneiras sem medo de ser feliz. Sobre trabalho escravo contemporâneo por exemplo, ela já declarou que “exageros na tentativa de proteger o trabalhador podem levar ao desamparo”, na forma de desemprego. Katia Abreu é do tipo cara de pau. E a gente lê com raiva, mas sabendo que dela, a gente pode esperar qualquer coisa.

Zander Navarro, eu não o conhecia e fui pesquisar sobre o figura. Ele é professor universitário aposentado e pesquisa a questão agrária e a agricultura familiar há anos. Independente de seu posicionamento político, tem um trabalho acadêmico sólido na sociologia rural. Assim, eu concluo que ele é do tipo corajoso. Imagino que tenha seus desafetos com a “esquerda agrária”, os “anticapitalistas agroecológicos” e a “alegria inconsequente dos adolescentes” e aproveitou a simpatia do Estadão, que também não gosta desse povo, pra metralhar à torto e à esquerda.

O que eu estranho é que seu argumento é de uma estupidez ousada. Vivemos numa sociedade global afundada em uma crise econômica, financeira, ambiental, social e alimentar, na qual só quem não quer, não vê que é necessário mudar muita coisa, começando pela forma de produzir alimentos. Na contramão de todas as tendências atuais, seu texto mais do que desqualificar a agroecologia, diz que ela não existe. Ou seja, não só diz que não é possível como que ninguém produz sem agrotóxicos, nem utiliza sementes tradicionais ou potencializa processos naturais na roça.  Reconhece como única e hegemônica forma de produção, o agronegócio, nem que seja um “agronegócio orgânico”.

É um discurso retórico, teórico, já que o agronegócio, por si só é um sistema excludente, e o próprio capitalismo assume que necessita da agricultura familiar camponesa – aquela baseada na mão de obra familiar, em poucos insumos e capital – para produzir o que não compensa, em matéria de lucro, ser produzido pela agricultura empresarial, ou o agronegócio. Como sociólogo rural, há de saber que o sistema capitalista explora o camponês como explora o operário, dentro das suas especificidades, e que é ilusão dizer que a agricultura familiar um dia a de se tornar um “agronegocinho”, como se fosse uma escala evolutiva da agricultura – que, convenhamos, é um conceito bem démodé. Mas isso é papo da “esquerda agrária”.

Inacreditável é seu ódio contra um Plano do governo que apoia práticas agroecológicas (essas que não existem) e que, inclusive, não é nada perto do apoio, subsídio e poder que o agronegócio tem dentro do governo. E mostra que trata-se sim de um embate e qualquer pequena conquista de um lado é tido como uma ameaça pelo outro, mesmo que este outro esteja com o legislativo e o executivo no colo.

Não pretendo aqui escrever uma resposta ao texto, porque isto já foi muito bem feito, e quem tiver interesse, reproduzo abaixo três respostas escritas ao texto do Zander. O que me preocupa é que esses tipos de textos irresponsavelmente polêmicos são perigosos. O perigo desses textos, principalmente quando são publicados em grandes jornais, como a Folha de São Paulo ou o Estadão, é que as pessoas acreditam ou ao menos respeitam o que está sendo dito ali. E é assim que vai se formando a opinião pública e vão se criando verdades sem fatos.

O ARTIGO

Fadas, duendes e agricultura – Zander Navarro

 Poderia ser o dia da mentira, mas esse já consta no calendário. Melhor designá-lo como o dia do assombro. Ao lançar em 17 de outubro, com fanfarra, o Plano Nacional de Agroecologia e Agricultura Orgânica, o governo federal mergulha no ridículo e, de quebra, desmoraliza ainda mais o que restou da antiga autointitulada esquerda agrária. É mais uma criativa contribuição brasileira para o anedotário internacional, pois é histriônica a sugestão de a agroecologia ser o caminho tecnológico para assegurar tanto a produção como a sustentabilidade das atividades agropecuárias.
Na exiguidade deste espaço destaco, sobretudo, quatro aspectos. O primeiro é apontar incisivamente que agroecologia e expressões como “práticas agroecológicas”, de fato, não existem. Para quem duvidar, fica o repto: aponte um caso concreto, um único que seja. Não se trata de um novo modelo tecnológico e organizativo factível na agricultura. Nem é uma ciência emergente e menos ainda um movimento social. Dessa forma, causa pasmo a pirotecnia operada a partir de algo que é ficcional.
Em alguns poucos países, agroecologia aponta apenas esforços científicos multidisciplinares destinados a ecologizar a agricultura. Mas não é ciência em si mesma.
Certamente a Presidência foi induzida a erro por assessores movidos por um só objetivo: combater a moderna agricultura brasileira e, por conseguinte, confrontar politicamente o capitalismo como ordem social. Mas por que não fazem esse combate à luz do dia, como seria natural numa ordem democrática? É provável que a presidente nem tenha percebido a manipulação de setores radicalizados, descomprometidos com a pobreza rural, o ambiente e a prosperidade do País. São movidos somente por objetivos políticos, mas sem nenhum verniz democrático, preferindo o jogo sujo das sombras.
O plano pontifica sobre algo que é falso e, por isso mesmo, o documento não define o que é agroecologia em nenhum momento. Nem poderia, pois não passa de uma palavra sem conteúdo que pretende englobar os modelos tecnológicos chamados “alternativos” – e seriam alternativos ao eficiente padrão moderno que organiza a agricultura em todo o mundo. Escassamente adotados, esses modelos são muito diferenciados entre si e nenhuma palavra poderá abranger todos eles, sendo logicamente impossível um termo que inclua todas as facetas dos formatos já propostos.
Em síntese, temos um plano oficial ancorado em palavra cujo significado ninguém sabe. E acreditem: até o CNPq já lançou edital, apoiado por cinco ministérios, para fomentar projetos, cursos e outras atividades centrados na misteriosa agroecologia. Mais ainda, recente chamada pública do Ministério do Desenvolvimento Agrário oferece espantosos R$ 98,3 milhões para “ampliar processos de agroecologia existentes”. Impossível algo mais absurdo.
Outro aspecto importante é que os militantes que organizaram esse assalto à razão incluíram o termo de contrabando nas costas da “agricultura orgânica”, como se fossem parentes próximos. Outra falsidade. A chamada agricultura orgânica ostenta uma longa história, normas próprias, desenvolve mecanismos de certificação, é até legalizada e lucrativa. Seus praticantes não são anticapitalistas, como o são os que defendem a agroecologia. É preciso separar o joio do trigo, mas o Planalto, estranhamente, preferiu deixar-se enquadrar por ideólogos.
Um terceiro aspecto a realçar é a incapacidade de nossos governantes desenvolverem uma honesta argumentação sobre tais iniciativas. Se o fizessem, seria possível iluminar esta noite escura criada e demonstrar, com números, fatos e estatísticas, que a moderna agricultura brasileira tem observado trajetória espetacular em termos de produção e produtividade e, como resultado, seu desempenho ao longo do tempo tem poupado recursos naturais em vastas proporções. Sucintamente, o desempenho produtivo da agricultura brasileira tem produzido continuamente a sustentabilidade, deixando assim a pergunta ainda sem resposta: por que não existe este debate?
Finalmente, há o aspecto mais relevante a ser citado, ignorado pela Presidência e pelos que fizeram a festa naquele dia. Modelos de ecologização da agricultura, qualquer um deles, exigem o desenvolvimento de sistemas de produção agrícola complexos, combinando diversas atividades de produção vegetal e animal na propriedade. Considerações econômicas à parte, sensatos fatores agronômicos e ecológicos sustentam a tendência, mas embutem duas consequências práticas: a gestão produtiva do estabelecimento rural torna-se extremamente desafiadora e requer maior uso da força de trabalho. Por essas razões, na prática não são modelos concretizáveis. As famílias rurais desejam o melhor da tecnologia, mas uma crescente complexidade de manejo é para raros agricultores. A lógica da produção moderna requer certa uniformidade, facilitando a administração. E quanto ao fator trabalho, os fatos são preocupantes, pois a oferta de mão de obra está caindo em todas as regiões rurais e seu preço, subindo. Por isso, modelos ide agricultura ecológica podem ter o seu lugar, mas jamais deixarão de ser nichos de mercado. Sua generalização não é viável.
Tudo isso é inacreditável e nos deixa diante de um dilema: podemos assumir que o País e seu povo são mesmo parte de uma comedia permanente e, assim, deveríamos “vestir” a alegria inconsequente dos adolescentes. Ou, contrariamente, somos tomados pela melancolia, pois seríamos um povo sujeito à condenação eterna e os genes da ignorância fariam parte de nossa estrutura de funcionamento desde sempre.

AS RESPOSTAS

a) Ciência, Consciência e Persistência: para avançar na implantação da Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica – Gervásio Paulus

“Uma ciência empírica privada de reflexão e uma filosofia puramente especulativa são insuficientes; consciência sem ciência e ciência sem consciência são radicalmente mutiladas e mutilantes.” (Edgar Morin Ciência com Consciência)

O lançamento recente do Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica, pela presidenta Dilma Roussef, no dia 17 de outubro, coloca pela primeira vez o tema da Agroecologia e da Produção Orgânica num patamar de visibilidade e importância semelhante ao de outras políticas públicas nacionais voltadas para a agricultura, que não têm essa perspectiva e que já estão historicamente consolidadas.

Há quem prefira ver nesse avanço, envolvendo um esforço conjunto de vários ministérios, instituições de pesquisa, extensão rural, organizações de agricultores e da sociedade civil, apenas uma abstração, com recurso a fadas e duendes, ignorando olimpicamente evidências empíricas e conceituais que demonstram a seriedade e relevância do tema, reconhecido inclusive pela FAO. Por limitação de espaço, citarei apenas um documento, produzido pela própria Embrapa (para mencionar uma instituição que, rigor, não pode ser acusada de difundir conceitos vazios de conteúdo), o Marco Referencial de Agroecologia (disponível em http://www.coptec.org.br/biblioteca/Agroecologia/Artigos/Marco%20Referencial%20em%20Agroecologia%20%28Embrapa%29.pdf. Da mesma forma, fica difícil aceitar a sugestão de que a presidenta Dilma tenha sido “induzida a erro por assessores”, considerando que no ato de lançamento estavam presentes nada menos que o Secretário-Geral da Residência da República Gilberto Carvalho, dos ministros Pepe Vargas (MDA) Tereza Campello (MDS), Antônio Andrade (MAPA), Isabela Teixeira (MMA), Manoel Dias (MTE) e representantes de centenas de organizações sociais, além dos mais de 1200 delegados e convidados participantes da Conferência Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável e Solidário.

Em lugar de fadas e duendes (cuja existência, todavia, é mais fácil provar do que a suposta “contínua sustentabilidade” do modelo de agricultura hegemônico no país, bastando para isso mencionar a farra do consumo brutal de agrotóxicos, que faz do Brasil o maior consumidor mundial), estamos falando de ciência, de consciência e de persistência. Ciência, porque existe um esforço crescente de incorporar, cada vez mais, conceitos, métodos e tecnologias de base ecológica nas formas de manejo dos agroecossistemas, ao mesmo tempo que se reconhece o saber historicamente acumulado pelos agricultores; consciência, porque mais do que de mudanças tecnológicas, trata-se de uma mudança mais ampla, que exige sensibilidade social e o envolvimento de toda a sociedade; persistência, porque o desafio que se impõe é o de enfrentar a corrente dominante de agricultura e de desenvolvimento (incluindo aqui também as orientação ainda hegemômica das instituições acadêmicas, de ensino, pesquisa e extensão), mas que conta hoje já com milhares de experiências disseminadas por todo o país.

Finalmente, caberia talvez acrescentar ainda que é necessário cultivar doses muito generosas de paciência, por estarmos diante de um processo que exige uma transição, sem prazo definido no tempo. Ademais, nesse caminho, alguns dos que até poucos anos criticavam duramente o status quo dominante no meio rural brasileiro, colocam-se hoje no campo oposto, chegando ao ponto de tentar desconstituir o esforço interinstitucional sério – e com ampla participação do governo e da sociedade – que resultou na criação do Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica. Felizmente, isso não nos impede de constatar hoje um avanço consistente, dentro e fora das instituições, em direção a estilos de agricultura mais parcimoniosos no uso dos recursos naturais e socialmente inclusivos, sabendo que a agricultura do futuro, ou será sustentável, em suas múltiplas dimensões, ou simplesmente não será. Isso significa que é imperioso avançar na transição de sistemas produtivos, para além de ocupar eventuais nichos de mercado. Para tanto, a formulação e implantação de políticas públicas com essa perspectiva, a exemplo do Planapo, assume um papel fundamental.

Gervásio Paulus é Diretor Técnico da Emater-RS e presidente do VIII Congresso Brasileiro de Agroecologia, a realizar-se em Porto Alegre-RS, 25 a 28 de novembro de 2013.

b) Reposta ao artigo “Fadas, duendes e agricultura” por José Maria Gusman Ferraz

O senhor Zander Navarro pode entender de sociologia que é sua área, mas discutir conceitos de agricultura e AGROECOLOGIA passa longe de sua área de conhecimento e beira a arrogância.

A AGROECOLOGIA como afirma ele ser “histriônica a sugestão de ser o caminho tecnológico para assegurar tanto a produção como a sustentabilidade das atividades agropecuárias “ não é o Plano Nacional de Agroecologia e Agricultura Orgânica que “inventou”, mas foi a FAO, que em uma publicação recente apontou a AGROECOLOGIA como a única forma de frente as mudanças climáticas, garantir a segurança alimentar, no mundo. Será que ela também faz parte do anedotário, não nacional, mas internacional por fazer tal afirmação ?

Falta-lhe leitura sobre o tema pois a palavra AGROECOLOGIA que o Sr. afirma que “ não passa de uma palavra sem conteúdo” está bem definida em vários documentos, como por exemplo o “ Marco referencial de Agroecologia da Embrapa “ elaborado por pesquisadores desta conceituada Empresa que o Sr, conhece muito bem , assim como toda a sociedade Brasileira, e que não caracteriza por abrigar a “ antiga esquerda agrária” como é taxado em seu artigo quem trabalha com este conceito.

O Plano Nacional de Agroecologia e Agricultura Orgânica lançado pelo governo federal foi construído não por assessores e nem de afogadilho, mas pela sociedade organizada, envolvendo a agricultura familiar, e um grupo inter e trans disciplinar e pasme até sociólogos como o Sr. em um trabalho de mais de dois anos, e não com verniz democrático mas de cerne democrático.

Para conhecimento dos leitores a agricultura familiar no Brasil e que não faz parte do grande agronegócio, é responsável por 70% do alimento que comemos todo dia, embora ocupe apenas 24% das terras agrícolas , e receba somente 14% dos créditos destinados à agricultura contra 86% ao agronegócio. Esta “moderna agricultura brasileira” que faz referência no seu artigo levou o Brasil a ser o maior consumidor de agrotóxico do mundo levando veneno em nosso prato e contaminando águas solos e pessoas, e só em royalties de sementes transgênicas.paga bilhões de reais por ano.A sua afirmação de “ descomprometidos com a pobreza rural, o ambiente e a prosperidade do País” fica um tanto comprometida quando se olha sobre este aspecto não acha?

O governo federal sabiamente percebeu que a nossa segurança e soberania alimentar esta na agricultura familiar e passa obrigatoriamente pela AGROECOLOGIA.

Convido-o para participar do Congresso Brasileiro de Agroecologia para quem sabe começar a entender os conceitos de agroecologia, antes de se aventurar a falar sobre o que desconhece.

Seguramente quem passa a fazer parte do anedotário Nacional não é o Plano Nacional de Agroecologia e Agricultura Orgânica, recém lançado, mas as afirmações estereotipadas que são colocadas em seu artigo aqui publicado.

José Maria Gusman Ferraz é Conselheiro da AOA ( Associação de Agricultura Orgânica) Diretor da ABA ( Associação Brasileira de Agroecologia),Professor do Curso de mestrado em Agroecologia PPGADR UFScar e ex- pesquisador da Embrapa.

c) A comida do agronegócio – um comentário ao texto de Zander Navarro – Roberto Malvezzi (Gogó)

Conheci Zander Navarro aqui na CPT da Bahia, lá pelos anos 80. Era um pesquisador interessado em conhecer a realidade do campo, particularmente dos trabalhadores.

Vi o texto dele sobre a agricultura brasileira publicado no Estadão (Pá de cal na reforma agrária) e achei bastante interessante, embora tenha algumas leves divergências.

Aqui em casa a gente não come soja. Também não chupamos cana. Não bebemos etanol. Esse lixo alimentar das bolachinhas, biscoitinhos etc., nem pago. Tampouco mascamos eucalipto. Também não comemos galeto ou porco de granja, a não ser pelo castigo da ausência de outro alimento. Aliás, até aí está um agricultor familiar como base produtiva dos grandes frigoríficos.

Nossa comida ainda é o feijão nordestino produzido pela agricultura de sequeiro do semiárido. Isto mesmo, até na seca ele brota. Não pode faltar a farinha, embora esteja caríssima para um alimento tão básico de nossa dieta cotidiana. A carne é de cabrito, ovelha – famoso bode – ou galinha que vem das caatingas, sem antibiótico, hormônio ou outras mágicas do crescimento rápido. O peixe não é o de granja, a base da ração purina, mas ainda o do São Francisco, tão dilapidado pelo agro e hidronegócio. Sem falar que nossas verduras vêm das hortas comunitárias, uma grande criação de tantas associações de bairros e periferias.

Sim, infelizmente estamos deixando de comer cuscuz, simplesmente porque agora nas embalagens da massa de milho vem o “t” de transgênico. Aí não dá.

O agronegócio produz muita riqueza. É verdade. Aqui, nas feiras de agricultura irrigada, tem muito trator, implemento agrícola, tendas de venenos, outros insumos químicos e uma ou outra caixa de fruta, que um ex-secretário de agricultura de Juazeiro chamava de “frutas obesas”, por terem puramente água e nitrogênio. Se falarmos ainda no PIB do agronegócio, precisamos lembrar os aviões para jogar veneno nas plantas, mas também nas águas e pessoas. Claro, cada avião precisa de um piloto. Ainda não existe o drone do veneno, mas está aí uma sugestão.

Quando o pessoal que frequenta a feira da irrigação tem fome, eles vão ao “bodódromo” em Petrolina. Ali tem todo tipo de carne de ovelha e cabrito, com uma macaxeira frita, um feijão tipicamente temperado. É uma festa.

Portanto, se o agronegócio se extinguir, juro que não morreremos de fome e, talvez, a gente nem saiba que ele morreu. Mas, se tirarem nossos pescadores, nossos criadores de bode, nossos plantadores de feijão, nossos cultivadores de mandioca, nossos cultivadores de hortas nas periferias, aí te garanto que o desastre é completo.

Portanto, bom proveito para quem gosta do cardápio do agronegócio. Afinal, tem gosto pra tudo.

Roberto Malvezzi (Gogó) possui formação em Filosofia, Teologia e Estudos Sociais. Atua na Equipe CPP/CPT do São Francisco.

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1 comentário

Braços, Sementes e Agricultura | murici do mato · 5 de dezembro de 2013 às 02:08

[…] (publicado originalmente no blog Terra de Sentidos,em 06/11/2013) […]

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